SIMPLES ASSIM


Carnaval

 

E entra a família no carro. Época de carnaval e apesar do calor, estávamos no contra-fluxo. Mas nada disso importa de fato, a questão está na família dentro do carro, e conseqüentemente, nas colocações feitas ali, durante o caminho.

Minha irmã: - Que aeroporto é esse?

Eu: - Da TAM, não tá vendo?

Minha irmã: - Aeroporto, idiota.

Em alguns raros momentos de silêncio, eu podia sentir minha irmã, logo ao lado, pensando nas coisas que estava vendo lá fora. E de repente era surpreendida com informações muito, muito intrigantes.

Minha irmã: - Acabei de ver o carro da Super Nanny.

Eu, eufórica: - SÉRIO??

Minha irmã: - Aham.

Eu, eufórica: - Como você sabe que é da Super Nanny?

Minha irmã: - Porque eu vi o programa da Super Nanny.

Eu: - VOCÊ VIU A SUPER NANNY LÁ DENTRO DO CARRO??

Minha irmã: - Cíntia, eu vi um carro igual o da Super Nanny, só que de outra cor, cinza.

Nem sei por QUAL motivo eu fiquei tão alterada com o caso da Super Nanny, sendo que nem assisto o programa, e nem gosto muito da figura da tal babá. Mas, enfim.

Meu pai (num típico comentário de pai-levando-a-família-para-viajar): - Nossa, é muito legal esse lugar, né?

Eu: Pai, é tudo mato. - já tinha passado por várias situações frustrantes até aquele ponto, não passaria sozinha.

Quando finalmente chegamos ao destino, que realmente era muito legal, eu, ainda com um certo peso na consciência por ter cortado o comentário super-pai-viajante do meu pai, disse "- Ah! Agora sim hein! Não temos só mato, temos matinhos podados aqui!"



Escrito por Cíntia Freitas às 00h49
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Uma questão de genética

 

A seguir, a prova de que certas coisas não mudam.

Minha vó e meu vô na cozinha, Cíntia de espectadora.

- Vai comer a manga? - pergunta gentilmente minha vó.

- Não, agora não. - responde meu vô.

- Vai comer, sim.

- Não, não, mais tarde.

- Vai deixar de lembrança?! Vai? Não vai!

- Ai minha Santa Onofra!  (expressões de vô, mesmo)

Vai comer sim, tó.



Escrito por Cíntia Freitas às 17h10
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Quatro notificações

 

E então passou o meu aniversário, o final de férias, o primeiro dia de faculdade, e todas essas coisas sobre as quais eu não vou falar. Vim para notificar quatro coisas observadas tanto no caminho de ida, quanto no de volta.

1. Na calçada fazia sol, na rua chovia. Nunca tinha visto isso. Eu andando, linda e seca na calçada, enquanto a chuva, do meu lado, molhava o asfalto. Nuvenzinha apressada essa, nem pra esperar um pouco e chover com as outras.

2. Sempre que passo por aquela casa, o portão está aberto. Uma vez até tentei fechar, mas fez muito barulho. Vai que o tio deixa o portão aberto porque confia no povo de sua cidade; não vou ser eu quem vai acabar com a credibilidade da população, né?!

3. Ainda não defini se gosto ou não do barulho de passos.

4. Ô coisinha feia, guarda-chuva. Da próxima vez, repare o quanto as pessoas ficam estranhas segurando esse negócio. Tomemos chuva, mas nos poupemos de imagens esquisitas (ah é, aham).



Escrito por Cíntia Freitas às 17h49
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